segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Sorrateira


Lidar com a morte não é algo fácil. Sei disso porque já assisti a muitos filmes, porque li alguns livros a respeito, e porque estou vivo e, inevitavelmente, não consigo me imaginar morto. Vejo, sim, que posso morrer velho ou novo, agora ou depois, mas não sinto que vou morrer. É a diferença entre o saber e o acreditar.

No filme os 300 de Esparta, por exemplo, eles sabiam que morreriam e mais: com glória, porque morriam por sua pátria, mas nada me tira a impressão de que, quando chegou o momento de levar milhares de flechas no peito e virar uma aljava ambulante, Leônidas ficou um tanto decepcionado por saber que também era capaz de morrer. Pelo menos ele teve um aviso.

No filme Mandando Bala, com Clive Owen, acontece algo semelhante, um contraste entre vida e morte quando, ao acabar de dar à luz um bebê, no meio de um tiroteio, a mãe acaba falecendo. O filme não tem nenhuma característica muito subjetiva nesse ponto, nem dá tempo para que ela relembre sua vida, como fez Leônidas, e me fica a dúvida se ela já estava com algum pressentimento a respeito (se bem que fugir grávida enquanto tentam atirar em você pode ser uma boa dica).

E ficamos sem nunca saber o momento exato, se teremos uma prévia, alguma experiência metafísica que nos mostre uma última atitude louvável... nada.

Pelo menos foi isso que percebi quando carreguei em meus braços o corpo de um vizinho com mais de 70 anos. O único aviso que teve foi um tombo e um grito surdo antes da parada cardíaca.

Ele não estava grávido (e nem poderia), ninguém estava tentando atirar nele, e também não estava enfrentando um exército de um milhão de persas, mas mesmo assim se foi, com olhos abertos, como para vigiar se a morte se aproximava...

Ela veio, novamente, sorrateira.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Noite de respeito ao torcedor

Na quarta-feira, o Palmeiras venceu o Fluminense por 1 a 0 e voltou a integrar o G-4. A partida foi disputada sob forte chuva, mas mesmo com o clima adverso os torcedores que foram ao Parque Antártica tiveram uma surpresa que considero o destaque da noite. Neste jogo foi inaugurado o espaço Visa e o que se viu foi uma noite de respeito ao torcedor! O Palmeiras está de parabéns pela iniciativa! O que todo torcedor espera é que seu clube siga este exemplo. Pode-se afirmar que naquela noite de quarta-feira, o torcedor que foi ao Parque Antártica viveu uma experiência européia de organização.

Para avalizar o blogueiro deste texto, segue o depoimento de quem esteve no jogo.

Por BRUNO MORAES BONSANTI

Cheguei ao Palestra Itália às 21:40. O jogo começaria em cinco minutos. Achar a entrada do setor Visa não foi difícil, pois um outdoor enorme com o símbolo da conhecida bandeira de cartões de crédito afasta qualquer possibilidade de erro.
Quando chego ao portão, vejo uma fila de alguns metros. Meu primeiro pensamento foi: não importa o quanto modernizem, não há santo que acabe com as filas do Parque Antártica. Erro meu.
Em menos de cinco minutos já estava passando o cartão de minha mãe pela catraca e entrando na ante-sala. Ante-sala que conta com gramado sintético, fotos de times épicos do Palmeiras, tvs de plasma e etc.
Ao entrar, comprei um refrigerante e dirigi-me ao meu lugar. Demorei um tempo para decifrar a numeração das cadeiras, mas isso não é problema, pois estádio moderno que se preze tem sempre um orientador.
E esse orientador me mostrou aonde eu deveria sentar. Chego lá e a maior surpresa da noite acontece: a minha cadeira numerada está vazia, esperando por mim! Incrível!

No intervalo, resolvo ver como que é o banheiro do novo espaço Visa. Meus caros amigos, nunca pensei que veria isso em um estádio de futebol no Brasil. O banheiro tinha assento nas privadas, sabonete, pia de mármore e até papel para enxugar as mãos! È uma surpresa atrás da outra.

Melhor para o futebol brasileiro, que tem, pelo menos, um pedacinho da Europa em seus estádios.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Pois é

Para nossos convidados ao banquete, minhas sinceras desculpas. Acredito que nosso descanso acabou ultrapassando alguns limites e me parece um tanto complicado continuar com nosso trabalho anterior
Isso não significa que você não deve mais ler nossos textos, pelo contrário. Animem-se, pois, com um ritmo mais tranquilo, todos teremos mais tempo, inclusive para acumular boas idéias.
Em breve, alguns textos novos surgirão. Mas não posso garantir que todos os autores voltem à ativa.
Por enquanto fica a novidade, ou a velharia, de que retiramos a música do blog. Ficava muito lento para alguns e nem todos se adaptavam a este recurso que assustava algunS distraídos (eu mesmo acabei por cometer este pecado).
Que venham, então os novos drinks, novos textos, mas todos dentro de uma tranquilidade contraditória com Sampa, a cidade de origem deste que tem voz por meios destes dígitos visuais.

sábado, 16 de junho de 2007

Hora de Descansar

Enfim, é chegada a hora de se despedir. O semestre chegou ao fim e, como ninguém é de ferro – muito menos eu -, merecemos um certo descanso. Afinal, foram 12 finais de semana incessantes dedicados, com prazer, a este blog - desde o primeiro post, em 24 de março, até hoje, dia 16 de junho. Entretanto, não deixarei o Simpósio antes de dois recados.

O primeiro, dedico aos meus cinco caríssimos parceiros Renan De Simone, Silvia Song, Michele Roza, Vanessa Oliveira e Rafael Zito, com os quais tive a honra de dividir o espaço deste blog durante quatro meses. O segundo, destino a todos leitores, para os quais sempre procuramos escrever, cuidadosamente, cada linha do nosso texto – obrigado!

Espero, também, que este post não seja um adeus e, sim, um até logo, já que nós, os membros, acenamos com a possibilidade de reativar o Simpósio no segundo semestre deste ano – tal confirmação, contudo, provavelmente lhes será dada em breve pelo nosso administrador-postador, Renan. Então, boas férias a todos e até mais. Valeu!

sábado, 9 de junho de 2007

Os Libertadores da América

Aproveitando o ensejo imperial do som dessa semana, desloco as palavras do meu texto para um tempo remoto; época de tiranos e subalternos; metrópoles e colônias. Falo da América de meados do século XIX. É esse o ponto de partida de uma história sobre heróis, impérios e – claro – futebol. Nessa mesma época, nesse mesmo continente, 5 desbravadores fincaram seus nomes nos livros de história. Entretanto, seus feitos ecoaram melhor nas páginas esportivas.

Calma, já explico essa relação: mais do que meros ícones da história latina, esses personagens fazem, hoje, ainda que indiretamente, parte do torneio interclubes mais prestigiado da América, a Copa Libertadores. Devo, pois, encerras as delongas e apresentar, ao caro leitor, os cinco libertadores da América: Simón Bolívar (1795-1830), venezuelano; D. Pedro I (1798-1834), português; José de San Martín (1778-1850), argentino; Antonio José de Sucre (1795-1830), venezuelano; e Bernardo O´Higgins (1778-1842), chileno.

Todos são, de uma forma ou de outra, lembrados a cada edição da competição, seja no sorteio dos grupos ou dos mata-matas, seja nos gritos de guerra de cada torcida. Afinal, dão nome à disputa que, diga-se de passagem, acontece desde 1960 e leva o fortuito campeão ao Japão, terra do cobiçadíssimo campeonato mundial. Até hoje, a equipe que mais vezes atravessou o mundo representando a América foi o Independiente, da Argentina, heptacampeão da Libertadores. Entre os países, a Argentina também lidera (20 títulos).

Apesar da supremacia azul e branca, outros países têm atenção especial da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), a entidade que organiza o torneio. Exemplo disso é o México, que, mesmo pertencendo à América Central, teve alguns times incluídos no rol de participantes em 1998, a fim de que se acirrassem as rivalidades internacionais pelo troféu – o Brasil, inclusive, faturou as duas últimas edições e, nesse ano, chega à final com o Grêmio, bicampeão. O rival, no entanto, é temível, e vem da Argentina: Boca Juniors, pentacampeão. Este será, no mínimo, mais um capítulo épico da história latino-americana.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Império esportivo

Historicamente os grandes Impérios tiveram seus prazos de duração. A música cita os Impérios mais famosos e que deixaram marca na história mundial. Começa no oriente com o Império Chinês, chegando ao ocidente com os Impérios: Romano, Bizantino, Macedônico, Otomano, e por fim aos Impérios das Américas: Incas, Maias e Astecas.

O Brasil também viveu sua época imperial, tendo como comandantes D. Pedro I e posteriormente D. Pedro II. Deixando um pouco de lado a história, falarei do vôlei brasileiro. O que dizer do comandante da nossa seleção masculina e do grupo que formou? Simplesmente um Império forte e poderoso que vem ganhando todas as batalhas que disputa. Até quando isso vai durar eu não sei, como tudo na vida é cíclico é fato que essa hegemonia um dia vai chegar ao fim, mas como todos os grandes Impérios, nossa seleção e seu comandante são obstinados por vitória, conquistas; são incansáveis guerreiros.

Desde que assumiu o comando técnico após as Olimpíadas de Sidney 2000, Bernardo Resende, popularmente conhecido como Bernardinho, construiu uma equipe quase imbatível. Incrível como esse time consegue sair das situações mais adversas para conquistar a vitória. Um líder firme, determinado e com uma grande capacidade de motivar seus comandados. Impressiona como consegue lidar com estrelas do vôlei mundial evitando que o ego atrapalhe o trabalho em equipe. Todos os jogadores sabem a função que devem exercer e a fazem com a maior competência.

"É tão bom falar de sonhos e conquistas", por isso que não poderia deixar de falar sobre o vôlei masculino, que "saltando" tanto no oriente quanto no ocidente tem trazido alegria para o povo brasileiro. Os números são impressionantes: 21 competições disputadas, 17 títulos, três vices e um terceiro lugar, ou seja, com Bernardinho no comando o Brasil foi ao podium em todos os torneios que participou. Os títulos mais importantes foram o campeonato mundial de 2002 na Argentina, vencendo a Rússia na final por 3 a 2 e a medalha de ouro Olímpica em Atenas 2004, vencendo a Itália por 3 a 1, conquistando o bicampeonato olímpico.

Em seu livro: transformando suor em ouro; Bernardinho apresenta o que ele diz ser a roda da excelência, e coloca o que para ele é a função de um lider: "A missão do líder e sua contribuição de buscar o máximo de cada um muitas vezes contrariam interesses, mas ele deve seguir suas convicções sem buscar popularidade, e sim o melhor para a equipe".